Stratosphera

August 15th, 2008 | | 3 Comments »
Em um espaço retangular qualquer de tamanho médio, o sentimento vago conhecido como querer-bem ocupa a parte do ambiente rente ao teto, como a fumaça em um jazz club. De outro modo, o amor definível – mas nem por isso prosaico – se espalha ao rés do chão até a altura da cintura, intoxicante como o gás carbônico nas minas. A camada intermediária se destina à respiração das pessoas desafortunadamente normais.

The Buenos Aires Affair

August 11th, 2008 | | No Comments »
Eu penso melhor em algumas ocasiões que outras, a saber:
 
1) Tomando banho de manhã ainda meio dormindo e sentindo que a água entra nos meus cabelos desgrenhados e escorre pela pele. Enquanto o cheiro do sabonete se encaixa em algum ano entre 94 e 2007 eu vou pensando idéias mirabolantes que em geral olham para as coisas que já passaram, não alcançando forma de nenhuma realização futura exceto a lista de pessoas para quem eu tenho que ligar e sempre esqueço e os próximos três compromissos noturnos.
 
2) Nos dez minutos antes de cair no sono, em que as idéias se embolam e se eu não for cuidadosa viram um pesadelo infinito de preocupações e pendências, mas em compensação podem virar uma ilusão de casulo e amornar o pé.
 
3) Olhando através da janela do ônibus e vendo pernas brancas pretas e amarelas do bonde do Drummond. Passam barracos quitandas e armazéns e eu penso em sensações telefonemas e listas de coisas a fazer.
 
4) Andando na rua quando o inverno quase acaba e sentindo que os pés saem do chão e o ar abre passagem e o ar já não é um gás rarefeito, é a essência mesmo das pessoas que me cercam e em quem eu penso, e me espantando com o espanto das pessoas que vêem meu sorriso.
 
(Lendo Gladys no Buenos Aires Affair. Enumérica…)

Lactivismo

August 1st, 2008 | | 2 Comments »

Eu não tenho, como vocês sabem, histórias de primeira-mão para contar sobre amamentação (porque da última vez em que estive envolvida nesse assunto era nova demais para guardar memórias). Só posso dizer que uma das coisas mais lindas e emocionantes que vi este ano foi uma amiga muito amada dando de mamar ao filhote de três meses, no meio da sala de estar da avó do marido dela, com um monte de gente em volta e um clima de festa de família italiana. Para mim foi como vê-la no cenário perfeito, cena de cinema. O marido comentava: “quando o baby acorda com fome e eu apareço, ele fica furioso, como se dissesse ‘pô, você não tem leite!!!'”.

Confesso que estou sem inspiração e tempo para escrever o post legal que o assunto merece. Portanto, proponho um google-jogo. Ache um link para cada uma das afirmações abaixo. O primeiro item já está preenchido. Ready, set, go!

peito que faz leite dá inveja nos ovários alheios
– amamentar é ecologicamente correto
– é possível induzir lactação em mães adotivas
– não existe idade certa para desmame
– de acordo com as leis dietárias judaicas, leite humano é parve, ou seja, pode ser combinado com alimentos derivados de leite ou de carne
– o leite muda de gosto e composição conforme a idade da criança
– o gosto da comida da mãe passa para o leite
– tem um episódio de House que tem a ver com amamentação e anticorpos
– o esforço dos músculos faciais durante a amamentação é uma ginástica que prepara para a fala e mastigação perfeitas
– existem vídeos online mostrando como amamentar usando um baby-sling – o máximo da praticidade em bebês vestíveis!
– dá pra alimentar o bebê com fórmula e leite materno se precisar, mas o segredo é não usar mamadeira e sim uma colherzinha ou copinho para o bebê não viciar na sucção fácil do bico de látex
– dá pra ser legal com mulheres que amamentam mesmo sem ser uma delas
– pontos bônus para quem achar 3 músicas que falem de amamentação (eu só consigo lembrar, de cabeça, de uma)

Claro que o melhor ponto de partida para saber mais sobre amamentação e ler os textos de gente que tem muito mais para contar do que eu é o blog da Denise, nossa lactivista mais querida!

Postei um pouco no twitter mas não estava em casa durante o dia, não deu para fazer mais burburinho com a tag