Lost my shadow in the shade.

April 28th, 2009 | | 2 Comments »

“Aprende piano porque quando você for moça e ficar triste vai poder sentar ao piano e fazer música.”

Não, tia, desisti do piano. Agora quando bate uma tarde que é manhã em outros lugares e as minhas antenas de bruxa captam tudo, tudo o que é decepção e desapontamento na vida dos outros e temperam e transformam tudo, tudo o que é vida e mudança e crescimento, o que é desejo e pulsar e o que é tão fora de lugar que fica até engraçado, tudo, tudo isso vira um emaranhado de palavras que saem como saem e eu tropeço nelas, tia, eu tropeço tanto que nem ia chegar ao piano, eu tropeço e eu engasgo sentindo em inglês e xingando em espanhol, eu perco as palavras embaixo do travesseiro e dos lençóis revirados e eu as encontro de novo no terceiro café do dia, e nessa barafunda eu não consigo catar as roupas e botar numa mala, tia, porque me falta tino, e eu tenho que me contentar em mediunizar o alheio. Eu não faço música, eu faço confusão e ouço canções.


As dez simplicidades.

April 15th, 2009 | | 6 Comments »

O caminho da simplicidade não é um só. Quando alguém decide que quer uma vida simples, tem que também decidir o que é simplicidade. Aqui vai uma adaptação de “Garden of Simplicity“, por Duane Elgin.

Aviso aos navegantes: quem estiver disposto a participar de um blog colaborativo sobre simplicidade voluntária ou quiser discutir mais sobre o assunto, venha conversar comigo, please!

  1. Simplicidade é Escolha. É escolher o que é essencial deliberadamente e conscientemente. É ter liberdade mas também ter foco, não se distrair com influências externas, com a cultura do consumo. É eliminar o supérfluo para revelar nossos verdadeiros dons.
  2. Simplicidade é Mercado. Como tendência, a simplicidade faz com que haja um mercado crescente para produtos e serviços que conservam recursos e são duradouros. O consumidor ganha a oportunidade de influenciar o mercado com seu poder de compra, mas também corre o risco de ser ludibriado por produtos “esverdeados”.
  3. Simplicidade é Compaixão. Simplicidade é “escolhemos viver simplesmente para que outros possam simplesmente viver”. Simplicidade com compaixão é um caminho de reconciliação com outras classes sociais, outros povos, outras espécies, e gerações futuras.
  4. Simplicidade é Meio Ambiente. Simplicidade é limitar nosso consumo para evitar destruir ou desgastar recursos finitos. Também é desenvolver alternativas criativas e sustentáveis tais como energia solar e teletrabalho.
  5. Simplicidade é Elegância. A estética da simplicidade é cada vez mais usada em design porque provoca contraste com os excessos do estilo de vida consumista. Quem é simples foge do exagero e celebra o que é único, gracioso e elegante.
  6. Simplicidade é Frugalidade. Uma vez que se determina o que é essencial e quais são os valores realmente importantes, gastos supérfluos são eliminados. Assim, pode-se ter mais independência financeira e diminuir o impacto do consumismo sobre o planeta.
  7. Simplicidade é Natureza. Não só a natureza “mato e bichos”, mas também a saúde humana. Neste caso, a simplicidade consiste em buscar o equilíbrio através de contato com a natureza e atenção à própria saúde.
  8. Simplicidade é Política. Simplicidade é organizar nossas vidas coletivas de maneiras que nos permitam viver mais levemente sobre a Terra o que, por sua vez, envolve mudanças em quase todas as áreas da vida pública – de transportes à educação e mídia, ao design de nossas casas, cidades e locais de trabalho.
  9. Simplicidade é Espiritualidade. A simplicidade abre espaço em nossas vidas para saborear conscientemente as nuances da vida, independentemente do caminho espiritual que se resolveu trilhar. Os relacionamentos humanos também se beneficiam da vida mais simples.
  10. Simplicidade é Organização. Simplicidade é ganhar controle de uma vida que é muito ocupada, cheia de bugigangas, e muito fragmentada. É não só organizar mas reconhecer que quanto menos detalhes e distrações, mais fácil é levar uma vida simples. Como disse Thoreau, “A vida é desgastada pelo detalhe… Simplifique, simplifique!”