Leia e vai saber o que é encanto

September 1st, 2011 | | 1 Comment »

Renda-se aos livros eletrônicos!

Mesmo que você não tenha um dispositivo dedicado exclusivamente à leitura de ebooks,  recomendo fortemente baixar o aplicativo do Kindle. Há versões para browser (o Cloud Reader), PC, Mac, iPad, e para espertofones iPhone, BlackBerry e Android. Esse aplicativo permite comprar livros na Amazon e importar livros de domínio público de sites como o Projeto Gutenberg.

O pulo do gato fica por conta do software Calibre. Ele faz a mágica de transformar todos aqueles PDFs de artigos que você guardou para ler um dia (e textos em .txt, .odt e .html) em ebooks que podem ser lidos confortavelmente no seu celular. Funciona também como gerenciador de pdfs, renomeando todos por nome do documento e autor, uma boa pedida para tirar os arquivos “54225.pdf” dos recônditos das pastas esquecidas.

Com esses dois aplicativos você nunca mais vai ter desculpa para não ler!

O bônus para quem tem um Kindle é o aplicativo SENDtoREADER. Ele manda o conteúdo de qualquer página web ou post do Google Reader diretamente para o seu dispositivo, usando o email *@free.kindle.com. O conteúdo já chega formatado e sem propagandas ou banners.

Agora o problema é só não perder o ponto para descer do ônibus e não tropeçar na rua.

http://www.youtube.com/watch?v=miJXlOXvpao


O eterno deus mudança

August 9th, 2011 | | 3 Comments »

A cada degrau do declínio do Império Americano, surgem movimentos culturais de simplicidade que tentam trazer à tona os princípios dos fundadores religiosos dos Estados Unidos, a austeridade dos peregrinos protestantes e quakers. Tudo indica que desta vez é pra valer: esse tema tem entrado para a cultura mainstream e vêem-se cada vez mais adeptos.

Se dos anos 60 e 70 herdamos movimentos mais radicais, como os sobrevivencialistas (que são o centro da piada do filme De volta para o presente) e as correntes espiritualistas defensoras da vida simples, hoje há novas expressões da simplicidade tais como minimalismo, location independence e consumo colaborativo. Também se destacam novas formas de usar o tempo (redução da jornada de trabalho e mais trabalho freelance), desenvolvimento de habilidades autossuficientes (“faça-você-mesmo”) e mais relacionamentos dentro de uma comunidade de acordo com interesses comuns.

Para mim, os mistérios são dois. Um é como tudo isso vai se juntar e o que vai permanecer no mainstream quando e se a crise passar. O outro é como vão se desenvolver essas iniciativas no Brasil, onde o crescimento econômico recente foca muito no consumo e esquece a sustentabilidade.

Por enquanto estão surgindo aqui e ali algumas idéias de trocas e compartilhamento de bens (consumo colaborativo), tanto locais (Toma Lá Dá Cá, dia 13/8 no Rio!) como online (DescolaAí), muitos sites falando de ciclismo, e mais e mais pessoas “alternativas” (no bom sentido!) com idéias legais. Vai que cola…

Ótimo vídeo da autora Juliet Schor falando da Economia da Plenitude.

Randy White, o criador do site Bright Neighbor, de Portland. Ele defende com unhas e dentes que existe um plano B para a crise americana e que ele inclui, necessariamente, agricultura urbana e local. Pena que ele parece um pouco doidinho ao falar das suas idéias. Mesmo assim, vale dar uma olhada.

Caso não tenha ficado claro: tem muita oportunidade de desenvolvimento de ferramentas online para incentivo de consumo colaborativo (veja o vídeo da Rachel Botsman) e aplicativos mobile para incentivar trocas de bens e serviços locais. Larguemos o vício do ineditismo e comecemos a experimentar na adaptação e tropicalização das tendências lá de fora. Não é imitação, minha gente, é leapfrogging!


Fossem somente crianças

June 30th, 2011 | | No Comments »

Aos amigos que têm filhos, pergunto algumas coisas sobre as quais não tenho nem idéia.

O que é que as crianças aprendem de prático na escola hoje? Dessas coisas que nunca aprendemos: educação financeira, consumo, cidadania, educação para o trânsito, ambientalismo, economia doméstica, informática, ética?

E as coisas que na escola tradicional são consideradas “menores” e na nossa época às vezes deixavam a desejar? Artes plásticas, música, dança, teatro, esporte. Os filhos de vocês estão aprendendo essas coisas de alguém?

Como é que vocês tapam esses buracos, se os há? O dia a dia é aproveitado para pequenas lições ou isso é muito chato? Dá pra ensinar um pouco na rua, em frente à tv, nas brincadeiras, perto dos avós?

E, finalmente, como funciona a relação com os adultos próximos? Vocês têm uma pequena aldeia para criar seus filhos ou ainda sentem que têm sozinhos a tarefa de proteger a cria?

Eu não falei que ia fazer perguntas fáceis.

Para ouvir:


Vou pedir um Café pra nós dois.

June 3rd, 2011 | | 3 Comments »

Por que eu apoio e participo do Café 22.

Todas as vezes que eu tento explicar o que é o Café 22 para alguém, saio da conversa achando que não me expressei direito. E olha que eu já tentei de tudo. “TED de quintal”, “um evento de palestras”, “amigos trocando conhecimento”, “palestras de 15 minutos sobre qualquer coisa”, “compartilhamento de paixões”. Fica sempre uma distância entre o real e a descrição. Pelo visto, não sou só eu que penso assim. Já vi várias pessoas comentando sobre o espírito, o clima, a energia do Café 22, que são todas características intangíveis do evento.

Depois da última edição do Café 22, sábado passado, cheguei à conclusão de que o meu café vem em três xícaras, três ângulos, três facetas.

A dimensão utópica é a descrição do Café 22 que aparece no site e a maneira como em geral tento descrevê-lo: um evento de compartilhamento de idéias, conhecimentos e paixões. É um movimento que segue as tendências atuais de formação de comunidades por interesse, on e offline. “Idéias novas e assuntos pelos quais nossos amigos são intensamente apaixonados.”

O lado prático do café se revela ao constatar que somos um conjunto de pessoas que de alguma forma faz esse evento acontecer. A mecânica das inscrições, a divulgação, a produção do evento, o coffee break, os detalhes técnicos, os contatos com patrocinadores que gentilmente cedem espaço ou equipamentos, a produção de conteúdo e de um blog. Tudo isso pode ser colocado no currículo de qualquer um de nós e nos evidencia como uma equipe, um coletivo, uma referência.

A terceira faceta é a afetiva. Nada substitui o prazer de se verem tantas amizades e tanta intimidade surgindo que talvez não fossem acontecer em outro lugar. Surgem piadas internas, contatos profissionais, dicas imperdíveis – um curso bacana, um tênis diferente, um livro pertinente – e o senso de uma verdadeira comunidade.

Eu tenho um orgulho danado de fazer parte desse tal de Café 22.

Leia mais, veja os vídeos, venha para o nosso ou faça o seu. Garanto que você vai gostar.


Quem sabe o príncipe virou um sapo

December 1st, 2010 | | No Comments »

Está chegando pelo correio o livro do meu ex-quase-futuro-sogro Príncipe Charles, chamado A Revolução da Sustentabilidade. Depois digo o que achei.

Tomara que ele apresente mesmo uma nova visão de mundo, porque eu não estou nem aí pros ursinhos polares.


A sorrir eu pretendo levar a vida

August 27th, 2010 | | 3 Comments »

Hoje o blog Zen Habits trouxe um post chamado breve guia para a vida.  Adaptei aqui as instruções, deixando os links para posts relacionados no blog original. Ah, importante: o autor lembra que regras são mais divertidas quando conseguimos quebrá-las de vez em quando.

Foto por Professor Bop, no flickr.menos TV, mais leitura
menos compras, mais ar livre
menos bugigangas, mais espaço
menos pressa, mais vagar
menos consumo, mais criatividade
menos porcaria, mais comida de verdade
menos trabalheira, mais impacto
menos carros, mais caminhadas
menos barulho, mais retiro
menos foco no futuro, mais no presente
menos trabalho, mais diversão
menos preocupação, mais sorrisos
respire

Fez sentido para mim, e parece um ótimo resumo das coisas que eu gostaria de explorar mais na vida, nas conversas e na escrita. Não vou me cobrar muito isso, estou ocupada sorrindo, mas se houver algum tema especial que chama sua atenção, coloque aí nos comentários e poderemos falar mais sobre.


O que que ela tem que eu não tenho?

August 16th, 2010 | | 19 Comments »

Foto por The Rocketeer, do Flickr.

Já falei várias vezes aqui sobre a minha opção pela simplicidade voluntária e o singelo apelido “carmelita descalça” pelo qual minha família me chama.

Cada vez mais tenho notado quão incomum é minha opção de não ter ou não usar certas coisas que são corriqueiras na vida das outras pessoas. Aqui vai uma lista das que lembro agora.

Televisão – Desde março de 2006 que não tenho uma televisão para chamar de minha.  Assisto a seriados, mas quase nada de tv aberta. É impressionante o quanto isso me isola de algumas conversas. Antes eu tinha a desculpa de ter passado tempo fora do Brasil, mas já voltei há 3 anos, a desculpa caducou. Fora a inquestionável falta de qualidade da programação, percebo outras desvantagens de ter uma televisão: nos acostumamos com barulho demais, velocidade demais, propaganda demais, periféricos demais (não tenho vídeo, dvd, videogames), contas demais (tv a cabo, locadora), e até a disposição dos móveis da casa muda. Uma sala de tv é praticamente uma capela, e num conjugado isso pode ser um problema logístico.

Apartamento grande – Estou morando num conjugado alugado. A sala é o quarto, a cozinha é uma parede, e somando o banheiro não dá mais que 25 m2. São poucos móveis e está confortável assim. Cabem minhas coisas e se eu quiser comprar um sofá ainda tem espaço, assim como tem espaço sobrando nos armários sobre e sob a pia da cozinha. Por outro lado, ainda dá pra diminuir mais ainda a quantidade de papéis e roupas, estou trabalhando nisso. E sou um pouquinho cara-de-pau, ainda tem umas roupas de inverno na casa da minha mãe (a dois quarteirões) que pretendo recuperar em breve, e as minhas malas grandes que vão continuar lá enquanto ela permitir.

Fogão – O apartamento é realmente pequeno e um fogão ia arruinar os meus sonhos de decoração clean. Aboli o trambolho já sabendo que não sou nenhuma Ofélia e que posso cozinhar na casa dos meus pais ou do namorado. O microondas, o grill e a cafeteira dão conta do recado e me poupam de ter em casa um totem de culpa.

Carro – Não dirijo, ando de ônibus, metrô e táxi. Tem quem ache muito estranho, mas já está provado que as despesas com um carro ultrapassam, em muitos casos, o que se gastaria apenas com táxi.

Telefone fixo – Cancelei esta semana uma linha fixa em meu nome que ficava na casa dos meus pais e que foi comprada na época da concessão caríssima. Eles ofereceram para transferir para o meu apartamento e eu achei que o preço da transferência e as eventuais chateações com a operadora não compensariam.

E, claro, coisas menores, entre elas:

Secador de cabeloQue cabelo?

iPod – Tecnicamente eu tenho um, mas está emprestado.

Jornais/Revistas – Raramente compro revista (de decoração ou a Vida Simples) e nunca compro jornal. Reconheço que são leituras prazerosas para quem tem o hábito mas meu vício é mesmo o Google Reader.

Qualquer dia faço um post dizendo o que é que eu tenho, além de caraminholas na cabeça. E vocês, conseguiriam viver sem o quê?


Que o Natal existe, que ninguém é triste…

December 26th, 2009 | | 2 Comments »

Em novembro, quando as primeiras decorações de Natal começaram a aparecer nas lojas, resolvi fazer uma pesquisa sobre os hábitos e tradições dos meus amigos. Meu objetivo era descobrir se tem muita gente que detesta essa época do ano e faz tudo por obrigação ou se os costumes são deliberados.

Divulguei o questionário aqui e no twitter. As respostas vieram devagarinho, e a pesquisa foi respondida 37 vezes. Excluí as duas pessoas responderam mais de uma vez, por pura distração (oi, Evandro! oi, Min!), e o anônimo que respondeu que presenteia carros populares no Natal. Os resultados abaixo se referem às 34 respostas válidas.

idade
religiao

Só a demografia já aponta como meus amigos são estranhos. Os respondentes têm de 21 a 44 anos (ninguém mais velho que isso!), alguns não quiseram responder a idade. Muitos também não responderam a religião, mas dá pra ver que tem mais ateus, agnósticos e pagãos do que cristãos.

arvore
presepio
decoracao

Ao contrário do que eu pensava, muita gente não monta árvore de Natal e pouquíssima gente monta presépio. As outras decorações são meio a meio. Eu não faço nada na minha casa, mas tenho um Jesus Cristinho que coloco na manjedoura quase todos os anos. Minha mãe é louca por Natal e muito católica, então lá em casa tem uma árvore cheia de enfeites (“uns 350”, ela diz casualmente) e sempre mais de cinco presépios, além de guirlanda, coroa do advento, várias coisinhas em forma de Papai Noel e boneco de neve e um lacinho em cada puxador de cada armário. Ufa!

cartoes

Eu me lembro da época em que recebíamos uns 30, 40 cartões por ano. Além dos amigos e conhecidos, várias empresas aproveitavam a ocasião para fazer marketing. Nós também mandávamos os nossos cartões (ou aerogramas natalinos dos correios) e eu ficava muito feliz de ajudar a minha mãe a passar os endereços a limpo, endereçar os envelopes, ouvir as histórias de cada pessoa da nossa lista. Dessa tradição eu sinto falta, mas sei também que a opção “mandar pela internet” – sejam cartões, posts ou emails – é bem mais sustentável.

ceia

Todo mundo come à beça, né? Ninguém disse que não participa de ceia de Natal. Os que responderam que gostariam de não participar o fazem por motivos opostos: um vai só pra ver os parentes e agradar a mãe, outra confessa que vai só pela comida mesmo.

viagem

Essa foi pra ver quem tem parente longe…

festa empresa

Não sabia que tinha tanta gente achando bacana a festa da empresa! Mas ficou dividido: um terço acha bacana, outro terço acha chato ou falta, e os outros não têm festa pra ir.

música
comerciais

Eu achei que absolutamente ninguém gostasse de música e comercial de Natal. Tem gente que gosta! Incrível! Recado aos que, como eu, não são fãs: desliguem a tevê e saiam do shopping. Ou procurem músicas melhores pra ouvir.

amigo

Esse negócio de amigo oculto/secreto/invisível é uma xaropada só. Se eu tivesse uma família gigante e fosse caro comprar presente para todos, vá lá que seja, mas amigo oculto da ginástica, do trabalho, … É tão impessoal! Eu participava quando estava no colégio e na faculdade, e olhe lá. Não participo há uns 3 anos. Parece que nesse quesito eu estou em minoria…

presenteados
gasto por presente
gasto por ano

Perguntei isso por curiosidade. É legal ter uma idéia de como as pessoas estão distribuindo os gastos nessa época.

tipos de presentes

Meus amigos presenteiam com livros, roupas e brinquedos.

Você gostaria de mudar suas tradições de Natal? O que você faria diferente?

Dez pessoas disseram que o Natal está bom do jeito que está.

Um amigo disse que faria dois Natais por ano.

Cinco pessoas disseram que aboliriam de vez o Natal.

“Só acompanho o Natal das famílias por política da boa vizinhança.”

“Não tenho tradição, participo passivamente das festividades familiares por falta de opção e pela oportunidade de ver parentes distantes.”

“Os meus hábitos estão de acordo com o que eu penso, com o que eu sinto. Mas, se eu tivesse poderes para mudar a tradição da sociedade como um todo, eu mudaria. Por mim, somente os cristãos de verdade celebrariam o Natal, o dia 25 de dezembro não seria feriado porque vivemos num Estado laico, e o Natal passaria batido. Eu não desejo “Feliz Natal” a ninguém, mas, todo dia, desejo felicidade àqueles de quem gosto.”

Uma pessoa gostaria de viajar.

Quatro pessoas têm vontade de ficar em casa em vez de fazer a ceia na casa dos outros.

“Ficaria em paz, na minha casa, vivendo uma noite como qualquer outra, sem pressão do resto da família pra comparecer a um evento.”

“Queria receber a família na minha casa. Cansei de ir pra casa dos outros!”

Cinco respondentes mencionaram os amigos, já que nessa data se privilegia a família biológica, e uma outra pensa em passar a data com alguém que esteja só.

“Se pudesse escolher, passaria o Natal rodeada de amigos, e não apenas com a família. Meu sonho é fazer uma grande festa com os amigos, mas eles sempre têm de ficar com a família.”

“Gostaria apenas de não ter hora para fazer as coisas e de poder ir à casa dos meus amigos. Na minha família não se come antes da meia-noite e ninguém pode sair da casa da minha avó.”

“Eu estou pensando em passar com alguém que precise de companhia. mas ainda estou desenvolvendo essa idéia na minha cabeça.”

Seis pessoas queriam menos correria, menos consumismo, menos pressão.

“Queria não ter a paranoia de presentes, amigos ocultos e reuniões/chopes de fim de ano. É cansativo, estressante… Para mim, é uma época e um dia de reflexão, de ponderar o ano, de pensar no próximo, rever as coisas, fazer planos, sonhar um pouco e não o corre-corre, shoppings lotados, consumismo desenfreado.”

“Gostaria de saber presentear melhor com coisas menores, ou aprender a dar ‘experiências’.”

“Presentes mais baratos, menos histeria de comprar presentes pra todo mundo, mais reuniões com os amigos.”

“Gostaria de propor um natal mais leve, com algum tipo de presente feito coletivamente pela família, que pudesse ser aproveitado por todos.”

Duas pessoas mudariam coisas na ceia e tropicalizariam o Natal:

“Mudaria os cardápios de Natal. Aboliria de vez o peru. Mas conservaria a rabanada. Essa é boa demais.”

“Adaptaria o Papai Noel ao nosso clima tropical. Aliás acho que seria mais legal explorarmos e exercitarmos mais a humanidade, a solidariedade e abandonarmos essa ideia materialista e egocêntrica que nunca teve nada a ver com o menino Jesus. E faria uma ceia mais leve, natureba.”

Só uma pessoa confessou…

“Nunca parei para pensar.”

Desconfiei desde o princípio… Gostei de ver as respostas à enquete. Parece que pelo menos as pessoas que responderam estão levando o Natal numa boa, sem muitas obrigações insuportáveis. A maioria parece estar aproveitando as próprias tradições. Quanto ao materialismo, eu sugiro que se fale mais sobre isso. Muitas vezes silenciamos para não ficarmos com fama de chato (ou hippie, no meu caso), mas quem sabe seus familiares e amigos não estão, secretamente, esperando alguém se manifestar sobre isso?

Desejo a vocês todos um feliz Natal, cheio de paz, saúde, alegria, pessoas queridas e escolhas simples!


(Algum) Blog Action Day

July 24th, 2009 | | 3 Comments »

Minha idéia para o dia da ação é uma não-ação.
Não compre.
Não compre a idéia de que para ser melhor você tem que comprar alguma coisa. Não compre tudo em que as propagandas querem que você acredite. Não compre um modelo pronto para a sua vida, com carro, casa e criança. Não compre tudo o que aparecer pela frente, não compre embalagens pelas quais você paga mais do que pelo produto, não compre marcas e grifes. Não compre roupa que não vai usar, não compre coisas que só servem para dar status e mostrar que você é melhor que o resto. Não compre o que é prejudicial à sua saúde, ao seu bolso ou ao meio-ambiente. Não compre cirurgia plástica, não compre o que aparece na tevê, não compre…

(Escrevi o post para um blog action day, dia 15/10/2007, e nunca terminei. Que pena, porque estava no embalo… Mais uma descoberta dos drafts do blogspot.)


As dez simplicidades.

April 15th, 2009 | | 6 Comments »

O caminho da simplicidade não é um só. Quando alguém decide que quer uma vida simples, tem que também decidir o que é simplicidade. Aqui vai uma adaptação de “Garden of Simplicity“, por Duane Elgin.

Aviso aos navegantes: quem estiver disposto a participar de um blog colaborativo sobre simplicidade voluntária ou quiser discutir mais sobre o assunto, venha conversar comigo, please!

  1. Simplicidade é Escolha. É escolher o que é essencial deliberadamente e conscientemente. É ter liberdade mas também ter foco, não se distrair com influências externas, com a cultura do consumo. É eliminar o supérfluo para revelar nossos verdadeiros dons.
  2. Simplicidade é Mercado. Como tendência, a simplicidade faz com que haja um mercado crescente para produtos e serviços que conservam recursos e são duradouros. O consumidor ganha a oportunidade de influenciar o mercado com seu poder de compra, mas também corre o risco de ser ludibriado por produtos “esverdeados”.
  3. Simplicidade é Compaixão. Simplicidade é “escolhemos viver simplesmente para que outros possam simplesmente viver”. Simplicidade com compaixão é um caminho de reconciliação com outras classes sociais, outros povos, outras espécies, e gerações futuras.
  4. Simplicidade é Meio Ambiente. Simplicidade é limitar nosso consumo para evitar destruir ou desgastar recursos finitos. Também é desenvolver alternativas criativas e sustentáveis tais como energia solar e teletrabalho.
  5. Simplicidade é Elegância. A estética da simplicidade é cada vez mais usada em design porque provoca contraste com os excessos do estilo de vida consumista. Quem é simples foge do exagero e celebra o que é único, gracioso e elegante.
  6. Simplicidade é Frugalidade. Uma vez que se determina o que é essencial e quais são os valores realmente importantes, gastos supérfluos são eliminados. Assim, pode-se ter mais independência financeira e diminuir o impacto do consumismo sobre o planeta.
  7. Simplicidade é Natureza. Não só a natureza “mato e bichos”, mas também a saúde humana. Neste caso, a simplicidade consiste em buscar o equilíbrio através de contato com a natureza e atenção à própria saúde.
  8. Simplicidade é Política. Simplicidade é organizar nossas vidas coletivas de maneiras que nos permitam viver mais levemente sobre a Terra o que, por sua vez, envolve mudanças em quase todas as áreas da vida pública – de transportes à educação e mídia, ao design de nossas casas, cidades e locais de trabalho.
  9. Simplicidade é Espiritualidade. A simplicidade abre espaço em nossas vidas para saborear conscientemente as nuances da vida, independentemente do caminho espiritual que se resolveu trilhar. Os relacionamentos humanos também se beneficiam da vida mais simples.
  10. Simplicidade é Organização. Simplicidade é ganhar controle de uma vida que é muito ocupada, cheia de bugigangas, e muito fragmentada. É não só organizar mas reconhecer que quanto menos detalhes e distrações, mais fácil é levar uma vida simples. Como disse Thoreau, “A vida é desgastada pelo detalhe… Simplifique, simplifique!”