Sua pose de princesa

July 4th, 2013 | | 1 Comment »

A história é assim: uma engenheira lá dos EUA – o nome dela é Debbie – reparou que 90% dos seus colegas são homens (que surpresa, na Física também é assim). Ela viu que meninas perdem o interesse por engenharia depois de uma certa idade e resolveu fazer um brinquedo que as mantivesse interessadas. Pesquisando, ela reparou que não basta “rosificar” os brinquedos dos meninos. Meninas gostam de narrativas e de cooperação. Aí ela fez um protótipo, testou, botou no Kickstarter pra conseguir $150k, e conseguiu uns $280k pra financiar a produção dos próximos dois livros-brinquedo. A Toys’R’Us está vendendo nas lojas e este vídeo fofo e sensacional é para divulgação. A letra da música é toda original, elas só trocaram uma frase no refrão: “More than a princess!”.

O primeiro brinquedo da série é um tabuleiro em que se encaixam pinos e roldanas (e mais uns bonequinhos de personagem) e que podem ser interligados com uma fita que faz as vezes de correia para que os bonequinhos girem. Ao longo do livro a personagem testa várias configurações para ver o que acontece.

Se quiser saber mais sobre mulheres em ciência, pesquise “women in STEM” ou “girls in STEM“. Só pra começar, tem uma seção do Huffington Post e uma página da White House sobre isso. Para ler histórias de mulheres pioneiras em STEM e de brinde ver deliciosas fotos vintage, veja Grandma got STEM. STEM, a propósito, é a sigla em inglês para englobar carreiras em  ciência, tecnologia, engenharia e  matemática.

Sou privilegiada, conheço tantas mulheres incríveis nessas áreas que não consigo nem enumerar.

(Via Miss Representation. Postado originalmente no meu Facebook, tive que trazer para cá para não perder, como faz o Roney.)


Indignação

June 22nd, 2013 | | No Comments »

“A indignação é parecida com um monte de outras coisas que são boas de sentir mas, ao longo do tempo, nos devoram de dentro para fora. Só que é ainda mais insidiosa do que a maioria dos vícios porque nós nem admitimos conscientemente que ela é um prazer. Nós preferimos pensar nela como uma reação desagradável mas fundamentalmente saudável aos estímulos negativos, como dor ou náusea, em vez de admitir que é uma emoção vergonhosa à qual nos entregamos avidamente de novo e de novo, feito masturbação compulsiva.

E, como em todos os vícios, grandes e lucrativas indústrias estão prontas para nos entregar o material necessário. Às vezes parece que a maior parte das notícias são ‘pornografia de indignação’, selecionadas especificamente para satisfazer nosso impulso de julgar e punir, para nos encher de indignação justificada.”

—Tim Kreider, We Learn Nothing

Via Gina Trapani


Posts meus em outros blogs

June 3rd, 2013 | | No Comments »

Estava me devendo uma lista das colaborações com outros blogs.

máquina de escrever, http://bazarambiental.blogspot.com.br/2009/11/maquina-de-escrever-maleta-olivetti.html

Crédito: Associação Avemare.

Aí estão:


Não há nada de novo, ainda somos iguais

May 15th, 2013 | | No Comments »

Segundo o instituto DataMaffa de pesquisa, os assuntos mais abordados em grupos de ex-alunos de escola e faculdade em redes sociais são:

casados vs solteiros (com menções às ‘patroas’ e aos ‘encoleirados’ e piadinhas desse naipe);
filhos (‘princesa’, ‘herdeiros’, ‘filhotes’, fofuchos’ – bônus se alguém fizer a execrável piada do ‘passou de consumidor a fornecedor’);
– quem encontrou quem na rua e quem estudou o quê;
– ‘boiolagem‘ (provocações de parte a parte e de vez em quando sobra para a orientação sexual de algum professor);
Vamos marcar! (e no subsequente encontro, os assuntos acima se repetem novamente intermeados por novidades e des-lembranças.).

Reclamo mais por esporte que por outra coisa, porque escola sempre foi microcosmo, desde a aurora da minha vida.

Continuo frequentando essas reuniões na maior boa vontade porque há pessoas-pérolas cuja amizade cultivo bem firme no presente, ainda que “deite raízes longe“. A essas e esses, minha mais absoluta gratidão.

Para assistir: Romy e Michele ahazando na dancinha da reunião de ex-alunos.

 


Que eu não acredito mais em você

January 30th, 2013 | | 2 Comments »

Quando nossa amiga em comum nos apresentou, eu fiquei bem feliz. Fui lá num encontro às cegas, tomar café com você, te achar “okay”. Nos meses seguintes, tivemos tempo de nos aproximar, formar um relacionamento bacana, fazer muitas piadas bobas, rir, beber juntos, fazer mais amigos em comum. E depois disso, foi ladeira abaixo.

Jul02 {147/366} Os bons companheiros!

Até hoje tento entender o que aconteceu. Você só queria saber dos seus amigos, parece que tinha vergonha de mim, deu pra debochar do que eu dizia na frente deles. Doeu. Doeu tanto que eu me afastei. E ao me afastar, acabei determinando o final daquela história. Quando eu disse tchau, você só disse: “cansou?”. Um ano e pouco depois, era tudo o que você tinha pra me dizer: “cansou?”. Como se o seu jogo fosse mesmo esse, me cansar.

Você quase não falou mais comigo. Você ficou bem. Você ficou ótimo, no topo do mundo, lá com os seus amigos. E quando falava comigo online, suas piadinhas eram sempre escrotas, depreciativas, forçando uma intimidade que já tinha acabado há muito tempo. Block, never show.

Aí um dia uma pessoa amiga (que nem no samba do Noel) falou que você não estava tão bem. E eu te chamei pra sair, conversar, “botar o papo em dia”. Confesso, paguei ingresso para te ver mal. Valeu cada centavo: estava lá você de novo, e o seu sarcasmo não escondia nada nada a sua miséria. Era você, menos o brilho no olho.

Eu acho que em algum momento dos meses seguintes, quando você começou a achar que era super meu amiguinho e que eu te devia contato constante, mesmo estando já em outra, você se emputeceu comigo e aí o tchau foi seu. Eu só pensei: “cansou?” e não me preocupei mais com isso.

Só que de vez em quando eu me lembro de quando eu pensava “aonde você for eu vou” (que nem na música da Marisa Monte). E aí eu vou procurar suas fotos, aquelas que registram cada vez menos vida. Minhas amigas dizem pra eu deixar pra lá essa mania de querer que você parasse com o que te faz mal. Mas se você não quer, se você mesmo não vê, foda-se.

Cansei.

Vapor Barato by Gal Costa on Grooveshark


Deixem as ONGs mais soltinhas!

November 11th, 2012 | | No Comments »

Sobre doações corporativas para o terceiro setor.

“Alguns doadores começaram a se perguntar quanto da percebida inabilidade do terceiro setor de atingir impacto ou escala tem a ver com o fato de os doadores acreditarem que é sobre *eles* – a teoria de mudança deles, a estratégia deles, e a definição deles (e medida) de resultados. Esses doadores então criaram uma nova definição de fazer mais com menos. Financiamento menos restritivo. Exigências de relatórios menos onerosas. Uma atitude menos “papai sabe tudo”.

Isso é importante porque essa transformação está fundamentada em um conjunto de crenças básicas sobre organizações sem fins lucrativos. Se você acredita que organizações sem fins lucrativos são em grande parte ineficientes, têm poucos recursos e habilidades técnicas, não entende o modelo de negócios delas, você cria um sistema de financiamento cheio de prestações de contas, cumprimento de regras e liderado pelos doadores. Mas se você acredita que essas organizações são inovadoras, efetivas e têm um entendimento profundo sobre o seu setor mas que elas operam sob um conjunto de regras oneroso, práticas contraintuitivas, e um sistema de financiamento ineficiente, então você pode abrir mão de parte do controle, deixar o dinheiro fluir um pouco mais livre, e comprar a estratégia e a abordagem das organizações para resolver problemas sociais.”

David Greco, em post lindo – não novo, mas pertinente – no blog da Beth Kanter.


Criança no Facebook? A tia Maffalda não gosta…

August 19th, 2012 | | 4 Comments »

Recebi ano passado a solicitação de amizade da minha prima Fulaninha no Facebook. Lá diz que ela nasceu 5 anos antes de os pais dela se casarem. A Fulaninha não tinha 23 anos, ela tinha 12, e o Facebook proíbe claramente usuários com menos de 13 anos.

Nos últimos anos eu tenho trabalhado com redes sociais e realmente acho muito legal que elas existam, mas não é lugar pra criança. Não é só por causa “dos adultos malvados da internet”. É também por causa das percepções de mundo que esse ambiente vai gerar.

macbook

Eu não sei se os pais da Fulaninha estão cientes dessa conta. Se estão, eu alertaria para o fato de que eles estão incentivando uma pré-adolescente a mentir, mas também diria para eles acompanharem de muito perto o que ela faz no perfil.

Quando a Fulaninha tinha 9 anos ela postou fotos de si mesma de biquíni, salto alto e maquiagem no Orkut, abertas para todo mundo ver, sem nenhuma configuração de privacidade. Sei que ela já aprendeu sobre isso, mas ainda acho que ela não tem discernimento para usar o Facebook.

Mentindo a idade para maior de 18 anos, ela está exposta a TONELADAS de anúncios inapropriados para a idade dela. Além disso, o Facebook está passando por mudanças que fazem até os adultos especializados nessa área ter dúvidas quanto às configurações de privacidade. Eu sou completamente a favor de ela entrar na rede daqui a um ano. Mas mentir a idade e se passar por mulher feita eu acho inadmissível.

Sei que “não posso falar porque não tenho filhos”, e em última instância a decisão é dos pais dela, mas desse negócio de internet eu entendo. Tentei falar com os tios dela, para que falassem com os pais (que não são muito próximos a mim) mas não adiantou muito.

Agora, a Beltraninha, irmã da Fulaninha, tem 8 anos na vida real e 20 online. Que tal?

Seguem alguns links sobre o assunto…


Vergonha alheia alheia

July 9th, 2012 | | 2 Comments »

Quando ouvi pela primeira vez a expressão “vergonha alheia”, achei bacana ter uma descrição para o constrangimento que sentimos quando o calouro canta mal ou esquece a letra da música.

Ultimamente, porém, desenvolvi alergia à tal da vergonha alheia e começo a achar que esta é a expressão mais calhorda da web. Virou um carimbo de julgamento e de opressão.

O constrangimento pelo outro é até saudável, prova de empatia, de capacidade de entrar na pele de um semelhante e sentir o que ele sente, e provoca um instinto de ajuda ou de fuga. Mas a vergonha alheia arrogante que vemos por aí é justamente o contrário: um grande joga-pedra-na-Geni, que se compraz em condenar e procura motivo. Nem passa pela cabeça dos que se dizem tão constrangidos trocar de canal ou fechar o browser.

Se você sente muita vergonha alheia, reavalie se não é o caso de desligar um pouco o botão de julgar. Viva e deixe viver.


Vamos marcar!

May 28th, 2012 | | 4 Comments »

“Vamos marcar!”, é o que dizem os cariocas. Aos desavisados, isso pode soar como “quero te ver, cara!”, mas na verdade o que a pessoa quer dizer mesmo é “por favor decida a hora e o local do encontro, convide nossos amigos em comum, e eu decido se vou, se me der na telha”. Para reencontros de colégio/faculdade (formados há mais de uns tantos anos) ou ex-colegas de trabalho, é ainda mais difícil organizar porque às vezes as afinidades já foram embora.

Someone's Lost Schedule Book

Para encontros grandes, a democracia não funciona muito bem. Se ficar pedindo para o povo marcar, todo mundo vai dar uma de peixe ensaboado e fugir da raia. Eu, que não tenho espaço para oferecer festas em casa, desenvolvi toda uma técnica para marcar encontros com muita gente. Eis o que sugiro:

  1. Escolha uma data que seja boa para você e para algumas pessoas (umas 6) mais próximas a você. Confirme com elas que a data é ok. Assim, se o resto do grupo faltar, você já tem o encontro garantido. Se for um grupo mais fechado (como as turmas de colégio/trabalho), escolha 2 ou 3 opções e use o Doodle para votar na data com mais pessoas disponíveis.
  2. Escolha um lugar conveniente para você e, se a conta for uma preocupação, verifique se esse lugar tem comandas individuais. Dependendo do tamanho do lugar, você vai ter que pedir para as pessoas confirmarem com antecedência para você fazer reservas.
  3. Divulgue a data e o local do evento para o resto do grupo. Se alguém pedir pra mudar de data, não ceda e corte logo, para a pessoa não confundir e dispersar os outros. Um “depois marcamos outro” é suficiente. Use mais de um método para a divulgação: email + facebook, email + telefone, telefone + pombo-correio, o que você achar que vai alcançar mais gente. Mantenha um controle das presenças (caderninho, planilha, evernote).
  4. Mande um email no dia anterior ou na manhã do dia lembrando o pessoal. Mesmo assim, 2 pessoas vão esquecer e 3 vão te ligar quando você está no banho ou a caminho para perguntar se “vai rolar mesmo” ou “onde é que você marcou” ou “é às 7 ou às 8?”. Releve.

Divirta-se!

E me convide, por favor. Se der na telha eu dou uma passadinha!

Para ouvir:


Você não me vê como eu sou

March 13th, 2012 | | 7 Comments »

Estou tendo dificuldade de explicar, mas é mais ou menos assim: você começa uma conversa com um homem e, especialmente se essa conversa for online, lá pelas tantas você percebe que não é exatamente com você que ele está conversando. O diálogo é com um amálgama entre você e uma personagem de uma história qualquer que ele tem na cabeça.

hope

Dependendo de quem é o cara, a história da linha cruzada pode ser um enredo de revista pornô, uma história mal resolvida com uma ex ou até caso enrolado com a mãe. Um ou outro costuma jogar uma trama de revista Sabrina, mas é mais raro. No clube da finasterida, o galho pode ser crise de meia-idade ou problemas no casamento.

As dicas de que o portal da realidade alternativa foi ultrapassado são um certo descompasso entre as linhas narrativas, o uso de uma ou outra palavra fora de lugar, e um pedido estranho pra gente gemer de repente no fim da conversa (no caso dos fãs de Sabrina, basta um suspiro e eles ficam satisfeitos).

É desapontador para qualquer uma que carregue a esperança de ser considerada pela pessoa que é, a aparência que tem e as idéias que desenvolve. O negócio é que a gente não consegue sair incólume. Agora que mais ou menos consegui descrever a situação e tenho certeza de que algumas pessoas se reconheceram, espero que alguém me explique como acordar os pobres acometidos desse tipo de ilusão ou sair com fineza desse tipo de armadilha.