Eu tenho pressa e tanta coisa me interessa

July 30th, 2009 | | 6 Comments »

Ainda aprendo a…

  • cantar
  • conduzir uma entrevista
  • dirigir
  • assoviar alto colocando os dedos na boca
  • cozinhar
  • fazer maquilagem decentemente
  • falar francês
  • usar bem o wordpress
  • dançar
  • fazer tricô

Me ensina?


(Algum) Blog Action Day

July 24th, 2009 | | 3 Comments »

Minha idéia para o dia da ação é uma não-ação.
Não compre.
Não compre a idéia de que para ser melhor você tem que comprar alguma coisa. Não compre tudo em que as propagandas querem que você acredite. Não compre um modelo pronto para a sua vida, com carro, casa e criança. Não compre tudo o que aparecer pela frente, não compre embalagens pelas quais você paga mais do que pelo produto, não compre marcas e grifes. Não compre roupa que não vai usar, não compre coisas que só servem para dar status e mostrar que você é melhor que o resto. Não compre o que é prejudicial à sua saúde, ao seu bolso ou ao meio-ambiente. Não compre cirurgia plástica, não compre o que aparece na tevê, não compre…

(Escrevi o post para um blog action day, dia 15/10/2007, e nunca terminei. Que pena, porque estava no embalo… Mais uma descoberta dos drafts do blogspot.)


Eu também (ou o anti-Linha-Reta)

July 22nd, 2009 | | 1 Comment »

Eu também quebrei a cara,
eu também levei porrada.
Eu também tenho medo, muito,
eu também não quero tanta intimidade,
eu também confesso minhas infâmias,
eu também lembro as minhas cobardias,
eu também tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas.

Mas também
eu também gostava de gostar de gostar,
eu também estive realmente a ouvir,
Ut ameris, amabilis esto.
Felix qui potuit rerum cognoscere.
Quidquid latine dictum sit, altum viditur.

Eu também amei um pouco,
eu também não sei onde vou.

Vou dormir, isso sim.

(Este post era um draft no blogspot, datado de 28/2/2005)

De tudo o que eu ainda não vi

July 19th, 2009 | | 2 Comments »
A la Prill, a la Puig,
mas filme contado – sem Gladys

A ponte, luzes ao longe, o Curinga num grafitti, reflexos na janela do ônibus. Lembra dum futuro, o homem tateando palavras na tela do computador, rodeando. Ela segura de si pergunta é isso mesmo? Olha que a ilusão de mim é melhor que eu e você também não deve ser tudo isso. Ele: tenho. Ela repassa mentalmente o ciclo, as unhas, a depilação em dia, o tempo de lavar os cabelos, blefa: então motel agora. Mudez de dígitos, sente o computador quase tremer, mensagem no celular com o endereço. Ela pensa nas drogas que são boas pra ansiedade mas decide que ansiedade é bom, está guardada há tanto tempo a tensão sexual entre os dois. Não sabe bem o que vai dizer. Joga um cd na bolsa.

Ele chega primeiro e manda um torpedo do 408. Ela sua diante da porta. Ele abre e mais esquisito que o beijo de cigarro e o abraço pela cintura é aquele antequarto de mesa posta.

O sexo não é fluido nem deveria. É errático, é sofrido, tem espaço pra melhorar. Os olhos ficam vermelhos e o corpo relaxado, os pés meio dormentes, ninguém precisava de drogas afinal.

Repassam os episódios passados, o que você disse, o que eu pensei, meu namorado na época. Ela pergunta dos filhos, ele disse que não tem, você sabe disso. -Sei. Quer ter? -Por que pergunta? -Sempre pergunto. Não quero, não quero me envolver com homem com relógio biológico.

Brinca com as mãos dele, calos. Mergulha nos olhos dela. Ele é exatamente imperfeito como ela imaginava, de uma virilidade quarentona desajeitada. Ela é quase melhor que as mais novas, com suas rugas de quarentona risonha.

Roupas de volta, porta da rua, despedida incerta. Ela entra no ônibus, olha pela janela e rabisca um outro futuro.