Thank you falettinme be mice elf

January 12th, 2009 | | 3 Comments »
Escrever não enche barriga, dizia eu para mim mesma com o estômago roncando. Mas aí lembrei do espaço vazio que era pra ser a minha cabeça, quer dizer, era pra eu anotar o que vai pela mente e fica parecendo o quê? – no mínimo que pensei pouco e vivi muito, só parte verdade.

Eu já não falo mais de bebês, não é, amor?, ela disse enquanto fazia sons irreprodutíveis para a criança em seu colo, e o marido teve vergonha de responder pra não perder a amiga.

Uso sempre algo vermelho no reveillon para ter quem esquente meus pés, e eu literal à vera escolhi vermelho nos sapatos. Agora qual a simpatia para todas as viradas de ano serem tão incríveis? 2009 promete.

Você é classe D, não tem carro nem tevê nem casa própria. E se for questão de escolha, posso ser classe média iluminada? Rica de espírito?

Lá é tão deserto que você vê um espelho e fica puto, tenho inventado lugares tranqüilos com uma freqüência absurda, e obviamente nesses lugares não chegou a famigerada reforma ortográfica, graçadeus.

Infinito foi esse minutinho que passou agora, e essas coisas não ficaram registradas porque são de foro íntimo, embora os telhados testemunhem gritos pelados toda hora. Gritos pelados é uma expressão do espanhol, veja bem, não será coincidência que o amor traga de volta pedaços reciclados para quererte, abollarte y comerte a besos…


3 Comments on “Thank you falettinme be mice elf”

  1. 1 prill said at 00:21 on January 14th, 2009:

    “Lá é tão deserto que você vê um espelho e fica puto”.

    uma das minhas frases favoritas no porvir pra sempre.

  2. 2 Luiz com Z said at 18:48 on January 14th, 2009:

    O título me lembrou o crássico “All Your Base Are Belong To Us” (http://en.wikipedia.org/wiki/All_your_base_are_belong_to_us). Li as frases de efeito, um dos meus maiores vícios, e a dos lugares tranqüilos me lembrou uma fala dum personagem do João Carlos Marinho: “Rural paca.”

  3. 3 Isaias Malta said at 10:49 on January 15th, 2009:

    Reforma ortográfica cá? Eles se socorrem de um eufemismo insuportável chamando esta coisa gorda de “acordo”. Mas, não os odeio, porque eles têm os professores que merecem, falidos e desiluminados.
    Por incrível que pareça a frase do deserto me lembrou Brasília, o lugar mais deserto do brasil, cheio de poltronas almofadadas a pegar pó. Lá um espelho provocaria miríades de protestos: é coação diriam eles.
    Maffalda, te descobri pelo Twitter e vim ver no que dava estas paragens e acabei gostando da “convoluta paramétrica”, tudo de bom, Mara!


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