Qualquer outro lugar ao sol

December 28th, 2018 | | No Comments »

Foi amante dele muitas vezes, por muitos anos, e sob vários interditos. Muito tempo depois, constrangido, o filho adulto dele atendia o telefone:
– Quero falar com ele. Me deixa. Preciso.

Dona de uma beleza de miss Brasil ou atriz de novela, poderia ter tido qualquer homem. Mas não, se apaixonou por ele, o biólogo, bicho do mato, garrado em planta, árvore, bicho. A altivez dele se esparramava sobre o verde, se sujava de terra, se afastava mais e mais de qualquer mesa posta.

Ainda assim ela voltava, cintura, peito, olhos azuis pedindo o olhar dele, anca procurando mão.

Daí que a história termina por aqui mesmo, fim da vida, afastados, cada qual patético à sua maneira, filhos e netos derramados pelo mundo.

Num entremente, a confidência:
– Prima, eu teria ido morar no Xingu com ele. Largava tudo, ia pro Xingu ficar pelada na mata.
– Por que não foi?
– Ele não pediu.

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